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Coesão na redação do Encceja: como ligar frases e parágrafos

Use palavras de ligação que expressem a relação entre as ideias.

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O principal, em poucas palavras

  • Use palavras de ligação que expressem a relação entre as ideias.
  • Deixe claro a quem cada pronome e expressão se refere.
  • Leia a sequência inteira: colocar conectivos não resolve uma contradição.
A ligação precisa combinar com a ideia. Conectivos não são enfeites.
Conectivos não são enfeites.Imagem: encceja.coAmpliar a imagem ↗

Coesão é a ligação entre as partes do texto. Para melhorar a coesão na redação do Encceja, deixe claro a que cada palavra se refere e qual é a relação entre uma ideia e a seguinte. Conectivos como “porque”, “porém” e “portanto” ajudam, mas não fazem esse trabalho sozinhos. Eles precisam combinar com o sentido das frases.

Um texto pode ter ideias interessantes e ainda ser difícil de acompanhar. Isso acontece quando uma pessoa aparece como “ela” sem identificação, quando uma frase fica longe da explicação a que pertence ou quando o escritor usa “por isso” entre fatos que não apresentam relação de consequência.

Vamos trabalhar esses problemas com situações fictícias de treino sobre transporte até uma biblioteca e organização de espaços de leitura. São exemplos didáticos próprios, sem relação com uma previsão de tema do exame. Para conhecer o conjunto da escrita, consulte o guia de redação do Encceja.

A ligação começa no sentido, antes do conectivo

Observe duas frases: “A biblioteca abre aos domingos. O trajeto de ônibus demora muito.” As informações podem participar da mesma discussão, mas a relação ainda precisa ser explicada. O horário ampliado facilita a ida de algumas pessoas; o transporte demorado pode continuar dificultando o acesso.

Uma ligação possível seria:

“A abertura da biblioteca aos domingos pode facilitar a visita de quem trabalha durante a semana. Porém, se o trajeto de ônibus é muito demorado, parte desse público ainda pode enfrentar dificuldades para utilizar o serviço.”

“Porém” indica uma limitação da primeira ideia. A frase seguinte explica essa limitação. Agora compare com uma troca inadequada:

“A biblioteca abre aos domingos. Portanto, o trajeto de ônibus demora muito.”

“Portanto” sugere que o segundo fato decorre do primeiro. Nada no trecho explica por que abrir aos domingos faria o ônibus demorar. O problema não está no tamanho da palavra, mas na relação que ela anuncia. Antes de escolher um conectivo, diga para si mesmo o que pretende fazer: acrescentar, contrastar, explicar ou concluir.

Poucas relações bem usadas ajudam mais que uma lista decorada

Você pode construir muitos textos com um conjunto pequeno de palavras, desde que entenda suas funções. “Além disso” acrescenta uma razão ou informação. “Porque” apresenta uma explicação ou causa. “Porém” marca contraste. “Por isso” anuncia um efeito. “Por exemplo” introduz um caso que ajuda a entender a ideia.

Veja essas relações dentro do mesmo assunto:

Relação Exemplo de uso
Acréscimo “O horário precisa ser divulgado. Além disso, as regras de empréstimo devem estar claras.”
Explicação “A orientação sobre cadastro é útil porque esclarece o que o visitante precisa apresentar.”
Contraste “O espaço oferece livros variados, mas alguns moradores desconhecem o serviço.”
Consequência “A informação não chega a parte do público. Por isso, a divulgação precisa alcançar outros canais.”
Exemplo “A comunicação pode usar locais frequentados pelos moradores, como unidades de atendimento público.”

Esses exemplos mostram funções, não frases para copiar em toda redação. O mesmo conectivo pode aparecer em contextos diferentes, e a pontuação depende da construção. Aprender o sentido de uma relação é mais útil que decorar uma coluna de palavras raras.

Retome o assunto sem repetir tudo

Se toda frase começa com “a biblioteca pública”, a leitura fica pesada. Você pode retomar essa expressão com “o espaço”, “o serviço” ou uma palavra como “ela”, quando o referente estiver claro. Referente é aquilo de que a palavra está falando.

Compare:

Antes: “A biblioteca pública precisa divulgar a biblioteca pública. A biblioteca pública pode explicar os serviços da biblioteca pública.”

Depois: “A biblioteca pública precisa divulgar seu funcionamento. Esse serviço pode ser apresentado em canais usados pelos moradores, com informações sobre horários, cadastro e empréstimo.”

A segunda versão evita repetição desnecessária e acrescenta informação. Mas cuidado com a troca: biblioteca, livraria e escola não são sinônimos. Substituir uma pela outra apenas para variar palavras altera o assunto. Às vezes repetir “biblioteca” é a maneira mais clara de manter a precisão.

Também não transforme toda retomada em “isso”. O leitor precisa saber o que foi retomado. Se o trecho anterior fala de horários, distância e falta de livros, “isso precisa melhorar” pode deixar dúvida. “A informação sobre horários precisa ser atualizada” identifica exatamente o ponto que será discutido.

Um pronome ambíguo pode mudar a compreensão

Leia esta frase:

“A coordenadora falou com a visitante quando ela chegou à biblioteca.”

Quem chegou: a coordenadora ou a visitante? O pronome “ela” permite duas leituras. Na conversa, um gesto poderia resolver. No texto, você precisa fornecer a informação:

“Quando a visitante chegou à biblioteca, a coordenadora conversou com ela.”

A ordem deixa mais claro quem realizou cada ação. Em uma redação argumentativa, a mesma dificuldade pode aparecer com instituições: “A escola pediu apoio à prefeitura porque ela não tinha recursos.” Qual das duas não tinha recursos? Escreva o nome de novo ou reorganize a frase.

O cuidado também vale para expressões como “seu problema” e “sua responsabilidade”. Se há dois grupos no trecho, indique de quem você está falando. Repetir um substantivo para evitar dúvida não é defeito. A variedade de palavras deve ajudar a compreensão, não obrigar o leitor a adivinhar.

Ordem das frases: o que o leitor precisa saber primeiro?

Nem sempre falta um conectivo. Às vezes, as frases estão fora de ordem. Considere este trecho:

“Essa dificuldade afasta visitantes. O trajeto exige duas conduções. A biblioteca fica longe do bairro.”

O leitor encontra “essa dificuldade” antes de saber qual dificuldade existe. Uma organização mais clara seria:

“A biblioteca fica longe do bairro, e o trajeto exige duas conduções. Essa dificuldade de deslocamento pode afastar visitantes que dispõem de pouco tempo ou dinheiro para a viagem.”

Agora a condição aparece antes da consequência. A retomada “essa dificuldade de deslocamento” resume o que foi explicado e já prepara o efeito. Observe também o cuidado com “pode”: o exemplo não demonstra que todos os moradores deixam de ir ao local.

Quando um parágrafo parecer confuso, tente escrever ao lado de cada frase sua função: apresenta o problema, explica, exemplifica ou conclui. Se a explicação só aparece depois de uma consequência difícil de entender, talvez seja necessário mudar a ordem. O artigo sobre argumentação ajuda a conferir se essas etapas realmente sustentam a posição.

Cada parágrafo precisa continuar a discussão

Ligar parágrafos não significa começar todos com uma palavra de transição. O primeiro pode discutir o horário; o segundo, a divulgação. Para a passagem funcionar, os dois precisam colaborar com a mesma posição: ampliar o acesso exige condições de uso e informação.

Veja uma transição possível:

“A adequação dos horários facilita o comparecimento de parte do público. Essa medida, entretanto, tem alcance limitado quando os moradores não sabem que o serviço está disponível.”

Esse começo retoma o ponto anterior e abre espaço para discutir divulgação. Não resume tudo de novo nem troca de assunto sem aviso. Se o novo parágrafo passasse a falar sobre poluição dos rios, seria necessário demonstrar a relação com a proposta; um “além disso” isolado não faria essa ligação.

Durante o planejamento, você pode escrever uma frase que explique a tarefa de cada parágrafo. Se não consegue mostrar como ele ajuda a posição central, talvez a ideia tenha vindo de outro texto e precise sair ou mudar de foco. Para organizar essa base, veja como começar a redação.

Frases longas podem esconder uma ligação simples

Não existe prêmio por unir todas as ideias em um único período. Quando uma frase acumula várias ocorrências de “que”, o leitor pode perder o assunto principal. Veja:

Antes: “A biblioteca que fica em um bairro que tem moradores que trabalham longe precisa de um horário que permita que eles consigam ir.”

Depois: “A biblioteca atende um bairro onde parte dos moradores trabalha longe de casa. Seu horário de funcionamento precisa considerar essa rotina para facilitar as visitas.”

A segunda versão divide o raciocínio e torna a relação mais visível. Ela não precisa de palavras mais difíceis. Também elimina a suposição de que todos os moradores têm exatamente a mesma rotina.

Ao dividir frases, confira se cada uma ficou completa. “Porque o horário coincide com o trabalho” isolado pode deixar uma explicação sem a ideia a que se liga. Escrever curto não significa cortar relações necessárias. O objetivo é dar ao leitor uma unidade de sentido por vez.

Como revisar coesão em um treino

Leia o texto procurando primeiro palavras que retomam outras: ele, ela, isso, esse problema, essa medida. Para cada uma, identifique a referência. Se houver duas possibilidades ou se precisar voltar muito para entender, reescreva.

Depois, circule os conectivos no seu rascunho de estudo e diga a função de cada um. “Portanto” realmente apresenta uma conclusão? “Mas” realmente contrasta? Você usou “além disso” para repetir a mesma razão? Troque a palavra ou refaça a relação quando o sentido não combinar.

Por fim, leia apenas a primeira frase de cada parágrafo. Elas mostram uma sequência compreensível? O texto passa de um argumento ao outro e chega ao fechamento? Essa leitura não substitui a revisão completa da redação, mas ajuda a encontrar saltos de assunto.

Você pode praticar com um único parágrafo nos dias de pouco tempo, como sugere o guia de estudo para quem trabalha. Em outro encontro, escreva o texto inteiro. O aprendizado aparece quando você consegue ligar ideias novas, e não apenas preencher espaços com conectivos memorizados.

Fontes e referências

Os exemplos de ligação e reescrita deste artigo são didáticos. As orientações oficiais sobre a redação do exame devem ser consultadas na cartilha correspondente ao seu nível de ensino.

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Redação Encceja.co

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